terça-feira, 30 de abril de 2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
O candidato das ideias alheias
As eleições autárquicas aproximam-se e com elas todo um
frenesim político, característico.
Na Câmara Municipal de Ponta Delgada temos hoje um
presidente que herdou um legado difícil de gerir, fruto da sua predecessora
cuja gestão não foi, convenhamos, a ideal – particularmente do ponto de vista
financeiro. Isto poderia ser a premissa de um bom augúrio. Porém, infelizmente,
não o é.
O Dr. José Manuel Bolieiro tem seguido um rumo diferente na
sua gestão. Mas não deixa de ser importante recordar o seguinte: José Bolieiro
foi o vice-presidente de Berta Cabral durante três anos. Então porque não
implementou as medidas que tem vindo a promover ao longo dos últimos seis
meses? Ou porque é que não se debateu por elas, no mínimo? Porque permitiu o
município seguir na senda do endividamento? A resposta é simples; o agora
assumidamente candidato autárquico do PSD/A a Ponta Delgada está empenhado numa
tentativa de branquear o seu passado político e sacudir responsabilidades.
Numa análise, mesmo que superficial, verificamos que José
Bolieiro foi “beber” muitas das suas medidas às propostas do PS/A para Ponta
Delgada, ao longo dos anos.
Vejamos.
Bolieiro afirma que é “hora é de arrancar com uma estratégia
impulsionadora que envolva todos os agentes com interesse no desenvolvimento da
cidade”. O PS/A defende isto desde pelo menos 2005 – o diagnóstico está feito,
é hora de passar aos atos.
Bolieiro diminuiu a sobrecarga fiscal e de taxas municipais
sobre o negócio, a ocupação do espaço público e o licenciamento de obras
particulares. São estas reinvindicações precisamente do PS/A desde há quase uma
década.
O candidato do PSD afirmou que “o tempo da autarquia andar
de costas voltadas para o Governo Regional tem de passar”. Ninguém objetou mais
a postura de “orgulhosamente sós” que Berta Cabral inculcou no município de
Ponta Delgada, que o PS/A. Aliás, esta lógica concorrencial não tem o mínimo
sentido. Independentemente das cores políticas, freguesias, autarquias e
governo regional têm de trabalhar em articulação, em prol de quem realmente
conta – a população.
José Manuel Bolieiro quer
agora apostar na “coesão territorial e social, descentralizando e reforçando os
meios financeiros de todas as freguesias de Ponta Delgada”. Esta última frase é
praticamente tirada a papel químico do discurso de anúncio de candidatura do
candidato socialista, o Dr. José Contente.
Por outro lado o facto de José Contente estar já a
apresentar propostas tão concretas, a sensivelmente meio ano das eleições, é
prova de que o candidato socialista está empenhado em soluções que tirem o
município de Ponta Delgada do marasmo em que este se encontra. O facto de José
Contente defender os apoios sociais em detrimento do investimento em
infraestruturas é prova de que o PS/A apresenta um candidato sensível aos
tempos difíceis em que vivemos. O facto de José Bolieiro vir nesta altura –
estrategicamente – fazer uma aproximação aos ideais de esquerda apenas prova
que Bolieiro é um verdadeiro candidato das ideias alheias.
Tiago Matias
Tradutor
segunda-feira, 15 de abril de 2013
sábado, 13 de abril de 2013
Tópicos mais importantes da conferência “TEDx Ponta Delgada”*
www.tedxpontadelgada.com
“A pérola e a cebola: reflexões
sobre ciência e fé” - António Frias Martins
- O caminho para a sabedoria é olharmos para dentro e conhecermo-nos a
nós próprios;
- Existem três perguntas essenciais que nos devemos colocar a nós
próprios: “Porque sou?”, “Quem sou?” e “O que sou?”;
- O “Porque sou?” é abordado através da fé;
- O “Quem sou?” é abordado através da filosofia;
- O “O que sou?” é abordado através da ciência;
- A Fé é a aceitação da proposta sem evidência científica;
- Paradoxo da pérola e da cebola; A pérola é formada no interior da
ostra devido à sucessiva deposição de camadas de nácar sobre um organismo
estranho, um grão de areia. A pérola é, basicamente, uma reação alérgica. É
bonita por fora, mas formada a partir de um centro morto. A cebola é um legume
que aparentemente não é nada de especial. Também ela é formada através de
sucessivas camadas, mas com uma diferença – a cebola tem um centro vivo.
Vídeo exibido no TEDx PDL
“Os Açores do futuro – mais complementaridade, menos rivalidade” - Nuno Tomé
- O que pode ligar os Açores, um barco de papel e o José Mourinho?
- Em 1895, Francisco Corte Real empreendia uma viagem que uniu Angra do
Heroísmo a Ponta Delgada, num barco chamado Autonomia, feito em madeira e
revestido a papel de jornal. Foi um esforço de união do arquipélago;
- Hoje, os Açorianos são e estão diferentes;
- Tal como José Mourinho consegue coordenar todos os egos dos jogadores
das suas equipas, também as várias ilhas dos Açores podem colocar de parte as
suas rivalidades. Há que apostar na complementaridade;
- Devemos continuar a navegar, nem que seja num barco de papel, apostar
na complementaridade entre ilhas e aprender a gerir bem os egos de cada ilha,
tal como Mourinho faz com os seus jogadores;
“As aventuras de um português
nos Açores” - Luís Cardoso
- Desde os tempos antigos que o Homem comunica com desenhos, nas
cavernas. Hoje em dia é com muito gosto que viajo pelas escolas, para tentar
incutir e recuperar nos jovens o gosto pela banda desenhada;
- Mais que uma terra de oportunidades, os Açores são uma terra de
possibilidades;
- Nos Açores existem facilidades, o que não significa facilitismos. As
facilidades são que quem quer fazer, encontra condições. Os facilitismos são
quando alguém nos “carrega ao colo”. Nos Açores há espaço para crescer, para
quem quiser fazer o caminho;
- As pessoas vivem agarradas às coisas;
- O centralismo existe em toda a parte. Se nos Açores as coisas tendem
a centralizar em S. Miguel, no país as coisas tendem a centralizar em Lisboa e
na Europa as coisas tendem a centralizar na Alemanha;
- Muitas vezes vemos a roupa suja pendurada no quintal do vizinho e
esquecemo-nos que podemos ser nós que temos os vidros das nossas janelas sujos;
- Todos nós consumimos algo que já foi feito. A folha em branco é o que
nos permite deixar algo para que os outros consumam;
"O Outro lado de mim" - Sonasfly
"O Outro lado de mim" - Sonasfly
Vídeo exibido no TEDx PDL
“Açores, um oásis no Atlântico”
- Nuno Sá
- Quando para cá vim, os Açores pareciam um mar de oportunidades a
explorar;
- Não pode haver muitos sítios onde se concentrem cerca de 1/3 das
espécies de baleias e golfinhos do planeta;
- Conselho que Nuno Sá recebeu de um grande fotógrafo internacional de
vida selvagem: “Tu vives num dos sítios com maior biodiversidade do planeta.
Esquece o resto do mundo e concentra-te em mostrar os Açores aos Açorianos, aos
Portugueses e ao Mundo”;
- O maior e o 2º maior peixe do mundo estão nos Açores. O tubarão baleia
e o tubarão frade, respetivamente;
- Não temos reservas para a prática de mergulho nos Açores, com exceção
da Reserva Voluntária do Caneiro dos Meros, instituída no Corvo pelos
pescadores locais. Esta reserva tem o tamanho aproximado de um campo de futebol;
- Temos cachalotes todo o ano, nas nossas águas;
- Os Açores concentram 500 espécies de peixes, 20 espécies de baleias e
golfinhos e 5 das 7 espécies de tartarugas marinhas do mundo;
Vídeo exibido no TEDx PDL
“Vida e morte do património cultural” - Susana Goulart
- O passado tem de ser revivido com o nosso olhar atual;
- Há uma sede de conservação e de preservação, mas por vezes não há mal
em deixar o património “morrer”. Ex: um museu pode estar fechado durante anos e
depois reabrir, que pode muito bem ser o caso do Museu Carlos Machado;
- Os museus parece que ficaram presos no século XIX e esqueceram-se que
estão no Século XXI. Talvez por isso muitas vezes não consigam cativar os
jovens, que os consideram “aborrecidos”;
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Tópicos mais importantes da conferência “Turismo nos Açores: que Futuro?”*
Pedro Costa Ferreira (Presidente
da APAVT)
- Para combater a sazonalidade do turismo açoriano, devem organizar-se
eventos “âncora” fora das épocas altas;
- Os privados devem ser integrados e consultados nos processos de
tomada de decisão da estratégia para o turismo nos Açores;
- Três fatores mais importantes para a promoção dos Açores: “condições
naturais”, “autenticidade” e “segurança”;
- Conceito “Low Cost” é pão para hoje e fome para amanhã;
- As companhias aéreas tradicionais estão connosco nos bons e nos maus
momentos. As Low Cost só estão connosco nos bons momentos e depois abandonam o destino;
- Importante diversificar os mercados emergentes. Aposta nos EUA, se
bem gerida, é boa ideia no médio/longo prazo;
Oscar Corduras (Instuto de Formación Directiva – Barcelona)
- As Low Cost não vendem lugares a passageiros; vendem
passageiros a destinos. E se a viagem é barata, é porque é o destino que a está
a pagar.
- Há que melhorar a hospitalidade dos serviços hoteleiros e da restauração açoriana.Oscar Corduras (Instuto de Formación Directiva – Barcelona)
- É necessário que os açorianos reflictam se querem mesmo o turismo de
massas para o Arquipélago. Consequências nefastas do turismo de massas (sol e
praia):
- Destrói a
natureza, como nas Canárias os hotéis ocuparam a paisagem;
- Gera benefícios
para poucos e malefícios para todos os outros;
- Artificializa o
destino. O turista deixa de vir para desfrutar das características únicas do
destino e passa a vir para usar o espaço para diversão;
- Assim que a
massificação é implementada, é irreversível;
- Encarece o
comércio local e expulsa o turismo local e nacional;
- Regista-se o
aumento da criminalidade;
-
A entrada num mercado saturado (turismo de massas) obriga à guerra de preços
entre destinos;
- No mundo ocidental estamos a assistir ao
declínio da unidade familiar; a decisão de casar é cada vez mais tardia, há
pessoas que decidem ficar solteiras e há cada vez mais divórcios. Deve haver
ofertas turísticas adequadas a estas novas condições sociais. Apostar em
ofertas para grupos de amigos, solteiros, mulheres e casais de namorados;
- “Existem jovens com muito dinheiro, jovens
com pouco dinheiro e jovens sem dinheiro”. Porém, quando um jovem viaja tende a
publicar as suas experiências nas redes sociais e isso pode ter um efeito
multiplicador;
- Paciência e prudência. Os resultados
chegam;
- Como é visto o turista? Como uma fonte de
rendimento? O turista é um convidado com quem “partilhamos a nossa casa”;
- Deve ser feita uma aposta na melhoria da
qualidade de atendimento. Não existe uma 2ª oportunidade de criar uma 1ª boa impressão;
- O que esperar de um turista que viaje em
Low Cost? Que gaste muito dinheiro no destino? Não me parece.
Francisco Silva (Escola Superiorde Turismo e Hotelaria do Estoril)
- Deve apostar-se em segmentos de turistas “repetentes”. Ex: golfe,
geoturismo, vulcanologia;
- Porque não vender o produto “concertos de música clássica no Algar do
Carvão”?
- Deve apostar-se em, primeiro, criar as condições ideais para
determinada prática. Porque não criar condições de conforto para a prática de
mergulho, que não impliquem que os turistas carreguem com as botijas e com o
equipamento no final da atividade, muitas vezes com frio e com chuva? Porque
não criar condições de excelência para a prática de Canyoning nas Flores? Uma
vez criadas essas condições, o turismo surge;
- Precisamos de mais pessoas formadas em
turismo e de maior transparência sobre as tomadas de decisão do poder. Os
valores de investimentos e campanhas devem estar disponíveis na internet;
Cláudia Faias (Grupo Ciprotur)
- O tecido empresarial da hotelaria açoriana é maioritariamente
constituído por empresas familiares (60%);
- Para combater a sazonalidade, uma aposta nos meses de inverno poderá
ser a organização de eventos e a promoção de encontros de negócios
(congressos);
- Devemos diversificar os mercados emissores e não nos basearmos apenas
nos emissores tradicionais;
- No decorrer do último ano, a carga fiscal tem vindo a asfixiar o
setor do turismo nos Açores (aumentos de IVA na restauração, IMI, IRC, tarifas
de eletricidade)
Rodrigo Rodrigues (Estalagem deS. Sebastião, Terceira)
- Nos últimos 2 anos, a hotelaria açoriana perdeu 200.000 dormidas
provenientes do mercado nacional;
- As responsabilidades não são exclusivas do poder público; Também os
privados têm a sua quota de responsabilidade. “Se o cliente está na China, é lá
que os privados o devem ir buscar”;
- “Na Região trabalhamos o turismo de forma amadora, com custos
profissionais”;
- Deverão ser realizadas com caráter de urgência jornadas técnicas de
trabalho, auscultando os intervenientes privados no setor;
- “Em 2013 registaram-se nos Açores 6 unidades hoteleiras encerradas (2
por insolvência, 2 por estratégia empresarial e 2 que nunca chegaram a abrir”;
Francisco Gil (Associação deTurismo dos Açores)
- É necessário promover as atividades de nicho nos mercados certos. Ex:
não vale a pena promover whale watching em Boston, quando em Boston essa atividade
está disponível;
- Fazer promoção é diferente de fazer publicidade. A publicidade em
publicações generalistas pode trazer resultados zero;
- A aposta de promoção dos Açores tem sido feita tanto em feiras
generalistas (de turismo), como de especialidade (mergulho, pedestrianismo,
etc.)
- As Press Trips (trazer jornalistas de OCS ao arquipélago para que
relatem a sua experiência) são uma forma económica de criar “buzz” (chamar a
atenção) para os Açores nos Órgãos de Comunicação Social;
- Em vez de querer captar turistas com rede, por arrastão, são muito
mais eficazes técnicas de “pesca à linha” (promoção muito mais diferenciada e
segmentada); Ex: Ben Fogle, praticante de desportos náuticos tem sido “embaixador
dos Açores" em Londres, com resultados muito positivos;
- O esforço tem sido feito para consolidar os mercados emissores
tradicionais dos Açores (Portugal, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Escandinávia…),
mas também para apostar nos mercados emergentes, assim que surge uma
oportunidade económica identificada (Brasil, Rússia, Polónia…);
Tiago Raiano (Grupo Soltropico)
- Devem ser aproveitadas as oportunidades para repensar o conceito a
vender ao público. Por exemplo, Barcelona aproveitou os Jogos Olímpicos para
reforçar a sua ligação ao mar. No Rio de Janeiro está a acontecer uma dinâmica
semelhante (Jogos Olímpicos e Mundial de Futebol em 2016);
- Mais do mesmo mas com mais capacidade tem levado à destruição de
valor;
- A promoção dos Açores tem sido bem desenvolvida, não é isso que está
em causa. Ex: Há anos atrás existiam vários stands dos Açores na BTL. Hoje essa
presença está unificada;
- Existe demasiado “ruído”. A promoção deve ser “Açores” e não “S.
Miguel”, “Terceira” ou “Faial”;
- A campanha realizada junto das crianças em idade escolar no
continente foi inovadora e eficaz. Nunca nenhum outro destino trabalhou assim
as bases. É de louvar que esta ação seja novamente repetida, este ano;
- Não são necessários mais hotéis. É necessário requalificar a oferta hoteleira;
- Deve vender-se a experiência. Se se vender “Golfe nos Açores”, o
hotel viagem e refeições estão subentendidos e incluídos;
- A competição com outros destinos não deve ser feita ao nível do
preço. Os Açores não conseguem competir com as Caraíbas, Palma de Maiorca ou
Canárias a nível de preço.
- As rotas aéreas e marítimas devem ser pensadas na ótica dos turistas
e não dos residentes. Ex: os horários das ligações marítimas inter-ilhas devem
estabilizar pois se estiverem sempre a alterar correm o risco de vir a estragar
programação de agentes turísticos feita com meses de antecedência;
- Com todo o respeito pelos direitos laborais, as greves cirúrgicas que
temos vindo a assistir no setor dos transportes apenas prejudicam os operadores turísticos e o turismo
açoriano, numa perspetiva de “chantagem” com o poder regional;
- Deve existir apenas 1 hub de entrada nos Açores e esse hub deve ser
S. Miguel. Quando assim era, 60% dos turistas chegados a S. Miguel acabavam por
visitar outras ilhas. Há que primeiro consolidar S. Miguel e depois partir para as outras ilhas;
- Os transportes terrestres estão mal organizados e sinalizados. Como
explicar ao turista estrangeiro que nos Açores os táxis não têm taxímetros e é
tudo a “olhómetro”?
- Porque é que não é possível visitar o Algar do Carvão no inverno, nem
a pedido e com reservas de grupos de turistas feitas?
Paulo Simões, no encerramento
(Diretor do Açoriano Oriental)
- Não foram faladas as 5 gateways de entrada e saída nos Açores.
Parece-me que esta é uma opção a repensar.
* Opinião de Tiago Matias
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