sábado, 22 de junho de 2013

Frenesim autárquico

Todos os anos devia haver eleições autárquicas. Tenho dito. Ponta Delgada, por exemplo, ascenderia rapidamente a patamares superiores – que lhe são interditos há décadas.
A passada semana foi pródiga em trabalho para o Executivo Camarário de José Manuel Bolieiro. Bolieiro duplicou as transferências para as freguesias, anunciou uma sala de ensaios musicais no centro histórico, reforçou o apoio social das festas do Divino Espírito Santo, eliminou barreiras arquitetónicas nos Paços do Concelho, anunciou cadeiras de rodas anfíbias em todas as praias/zonas balneares com Bandeira Azul, quer melhorar a ação na área da igualdade de géneros, assegurou consultas de psiquiatria e psicologia aos sem-abrigo, quer fomentar a cultura mesmo com poucos recursos, anunciou a alteração do Plano Diretor Municipal para fixar empresas nas freguesias rurais, vai apoiar a paróquia de s. José na recuperação do seu órgão, vai apoiar renda dos escoteiros de Santo António enquanto não houver sede definitiva (já adjudicada). O homem não pára. Até ao fim de semana e a altas horas da madrugada trabalha.
São estas medidas positivas, que apenas pecam por tardias para a cidade e para as freguesias de Ponta Delgada. Algumas já haviam sido propostas pelo PS/A há largos anos. Bom, antes tarde que nunca. Para já, fico satisfeito que os pontadelgadenses sejam os grandes beneficiados deste frenesim.
Só que o “parecer” sobrepõe-se ao “ser” no caso de José Manuel Bolieiro. Para quem afirmou categoricamente que a Câmara Municipal de Ponta Delgada “não é uma sede partidária”, são múltiplas e variadas as promessas eleitorais feitas pelo candidato Bolieiro a partir dos Paços do Concelho.
A verdade é esta: José Manuel Bolieiro não sabe separar as águas. Ou pior ainda, utiliza deliberadamente a sua posição de poder para fazer campanha com o dinheiro dos contribuintes.
É preciso não esquecer que o mesmo José Manuel Bolieiro foi vice-presidente desta autarquia durante três anos e nunca durante esse período fez tanto por Ponta Delgada como no último mês. Descobriu repentinamente novas competências? Tomou alguma poção mágica? Este frenesim autárquico tem objetivos claramente eleitoralistas. Após 29 de Setembro tudo regressará à calma costumeira, caso Bolieiro saia vencedor do confronto autárquico com José Contente.
Ponta Delgada precisa de uma nova energia autêntica, de um novo e genuíno presidente. Alguém que, com “saber de experiência feito” e com um projeto dinâmico dê um novo impulso ao concelho de Ponta Delgada. Esse homem é, sem dúvida, José Contente. Porque não basta “parecer”, é preciso “ser”.

Tiago Matias
Tradutor

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Incineradora em S. Miguel

Bom, eu reconheço que não sou especialista na gestão/eliminação de resíduos sólidos urbanos. Mas hoje aprendi algumas coisas sobre o projeto de incineradora proposto pela AMISM para S. Miguel:


1)      A incineradora a instalar dispõe de filtros de última geração, que reduzem substancialmente a emissão de dioxinas, o principal problema das incineradoras no passado. A incineradora será menos poluente do que a Central Termoelétrica do Caldeirão;

2)      A incineração não é contrária à reciclagem; os resíduos recicláveis (papel, plásticos, vidro, metal) continuarão a ser separados e enviados para o continente, sendo entregues à Sociedade Ponto Verde. O envio destes resíduos gera receitas para os Açores, pagas pela SPV. Os materiais orgânicos continuarão a ser processados para compostagem;

3)      A incineradora irá utilizar como combustível os pneus e óleos usados pelos veículos automóveis de S.Miguel. Um resíduo que tinha de ser transportado para o continente (queimando-se mais gasóleo e emitindo mais CO2) passa a ser um combustível. O calor gerado irá gerar eletricidade – complementando as fontes geoelétricas, hidroelétricas e eólicas - ajudando-nos também a libertarmo-nos da dependência do gasóleo;

4)      Para além dos resíduos urbanos, a incineradora processará também resíduos empresariais.

5)      Os pneus e óleos incinerados constituirão cerca de 10% dos materiais a incinerar e desta incineração será possível recuperar 99% da malha metálica integrada nos pneus, para reciclagem;

6)      Os aterros são uma solução insustentável. A capacidade do aterro em utilização esgotar-se-á em 2015 e será necessário abrir outro aterro. Com as limitações de espaço inerentes a uma ilha é óbvio que os aterros não serão uma solução viável no longo prazo.

7)      Neste momento trabalham cerca de 100 pessoas no Ecoparque, algumas das quais qualificadas. A incineradora deverá gerar emprego qualificado em S. Miguel;

8)      Outras regiões insulares já adotaram a incineração como solução, nomeadamente a Madeira e as Canárias;

É também bastante importante realçar que a AMISM tem um rpograma de visitas de estudo ao Acoparque para que as crianças tenham contato direto com as quantidades de lixo geradas e para as sensibilizar para a redução e separação de lixos.