Pedro Costa Ferreira (Presidente
da APAVT)
- Para combater a sazonalidade do turismo açoriano, devem organizar-se
eventos “âncora” fora das épocas altas;
- Os privados devem ser integrados e consultados nos processos de
tomada de decisão da estratégia para o turismo nos Açores;
- Três fatores mais importantes para a promoção dos Açores: “condições
naturais”, “autenticidade” e “segurança”;
- Conceito “Low Cost” é pão para hoje e fome para amanhã;
- As companhias aéreas tradicionais estão connosco nos bons e nos maus
momentos. As Low Cost só estão connosco nos bons momentos e depois abandonam o destino;
- Importante diversificar os mercados emergentes. Aposta nos EUA, se
bem gerida, é boa ideia no médio/longo prazo;
- As Low Cost não vendem lugares a passageiros; vendem
passageiros a destinos. E se a viagem é barata, é porque é o destino que a está
a pagar.
- Há que melhorar a hospitalidade dos serviços hoteleiros e da restauração açoriana.
Oscar Corduras (Instuto de Formación Directiva – Barcelona)
- É necessário que os açorianos reflictam se querem mesmo o turismo de
massas para o Arquipélago. Consequências nefastas do turismo de massas (sol e
praia):
- Destrói a
natureza, como nas Canárias os hotéis ocuparam a paisagem;
- Gera benefícios
para poucos e malefícios para todos os outros;
- Artificializa o
destino. O turista deixa de vir para desfrutar das características únicas do
destino e passa a vir para usar o espaço para diversão;
- Assim que a
massificação é implementada, é irreversível;
- Encarece o
comércio local e expulsa o turismo local e nacional;
- Regista-se o
aumento da criminalidade;
-
A entrada num mercado saturado (turismo de massas) obriga à guerra de preços
entre destinos;
- No mundo ocidental estamos a assistir ao
declínio da unidade familiar; a decisão de casar é cada vez mais tardia, há
pessoas que decidem ficar solteiras e há cada vez mais divórcios. Deve haver
ofertas turísticas adequadas a estas novas condições sociais. Apostar em
ofertas para grupos de amigos, solteiros, mulheres e casais de namorados;
- “Existem jovens com muito dinheiro, jovens
com pouco dinheiro e jovens sem dinheiro”. Porém, quando um jovem viaja tende a
publicar as suas experiências nas redes sociais e isso pode ter um efeito
multiplicador;
- Paciência e prudência. Os resultados
chegam;
- Como é visto o turista? Como uma fonte de
rendimento? O turista é um convidado com quem “partilhamos a nossa casa”;
- Deve ser feita uma aposta na melhoria da
qualidade de atendimento. Não existe uma 2ª oportunidade de criar uma 1ª boa impressão;
- O que esperar de um turista que viaje em
Low Cost? Que gaste muito dinheiro no destino? Não me parece.
- Deve apostar-se em segmentos de turistas “repetentes”. Ex: golfe,
geoturismo, vulcanologia;
- Porque não vender o produto “concertos de música clássica no Algar do
Carvão”?
- Deve apostar-se em, primeiro, criar as condições ideais para
determinada prática. Porque não criar condições de conforto para a prática de
mergulho, que não impliquem que os turistas carreguem com as botijas e com o
equipamento no final da atividade, muitas vezes com frio e com chuva? Porque
não criar condições de excelência para a prática de Canyoning nas Flores? Uma
vez criadas essas condições, o turismo surge;
- Precisamos de mais pessoas formadas em
turismo e de maior transparência sobre as tomadas de decisão do poder. Os
valores de investimentos e campanhas devem estar disponíveis na internet;
- O tecido empresarial da hotelaria açoriana é maioritariamente
constituído por empresas familiares (60%);
- Para combater a sazonalidade, uma aposta nos meses de inverno poderá
ser a organização de eventos e a promoção de encontros de negócios
(congressos);
- Devemos diversificar os mercados emissores e não nos basearmos apenas
nos emissores tradicionais;
- No decorrer do último ano, a carga fiscal tem vindo a asfixiar o
setor do turismo nos Açores (aumentos de IVA na restauração, IMI, IRC, tarifas
de eletricidade)
- Nos últimos 2 anos, a hotelaria açoriana perdeu 200.000 dormidas
provenientes do mercado nacional;
- As responsabilidades não são exclusivas do poder público; Também os
privados têm a sua quota de responsabilidade. “Se o cliente está na China, é lá
que os privados o devem ir buscar”;
- “Na Região trabalhamos o turismo de forma amadora, com custos
profissionais”;
- Deverão ser realizadas com caráter de urgência jornadas técnicas de
trabalho, auscultando os intervenientes privados no setor;
- “Em 2013 registaram-se nos Açores 6 unidades hoteleiras encerradas (2
por insolvência, 2 por estratégia empresarial e 2 que nunca chegaram a abrir”;
- É necessário promover as atividades de nicho nos mercados certos. Ex:
não vale a pena promover whale watching em Boston, quando em Boston essa atividade
está disponível;
- Fazer promoção é diferente de fazer publicidade. A publicidade em
publicações generalistas pode trazer resultados zero;
- A aposta de promoção dos Açores tem sido feita tanto em feiras
generalistas (de turismo), como de especialidade (mergulho, pedestrianismo,
etc.)
- As Press Trips (trazer jornalistas de OCS ao arquipélago para que
relatem a sua experiência) são uma forma económica de criar “buzz” (chamar a
atenção) para os Açores nos Órgãos de Comunicação Social;
- Em vez de querer captar turistas com rede, por arrastão, são muito
mais eficazes técnicas de “pesca à linha” (promoção muito mais diferenciada e
segmentada); Ex:
Ben Fogle, praticante de desportos náuticos tem sido “embaixador
dos Açores" em Londres, com resultados muito positivos;
- O esforço tem sido feito para consolidar os mercados emissores
tradicionais dos Açores (Portugal, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Escandinávia…),
mas também para apostar nos mercados emergentes, assim que surge uma
oportunidade económica identificada (Brasil, Rússia, Polónia…);
- Devem ser aproveitadas as oportunidades para repensar o conceito a
vender ao público. Por exemplo, Barcelona aproveitou os Jogos Olímpicos para
reforçar a sua ligação ao mar. No Rio de Janeiro está a acontecer uma dinâmica
semelhante (Jogos Olímpicos e Mundial de Futebol em 2016);
- Mais do mesmo mas com mais capacidade tem levado à destruição de
valor;
- A promoção dos Açores tem sido bem desenvolvida, não é isso que está
em causa. Ex: Há anos atrás existiam vários stands dos Açores na BTL. Hoje essa
presença está unificada;
- Existe demasiado “ruído”. A promoção deve ser “Açores” e não “S.
Miguel”, “Terceira” ou “Faial”;
- A campanha realizada junto das crianças em idade escolar no
continente foi inovadora e eficaz. Nunca nenhum outro destino trabalhou assim
as bases. É de louvar que esta ação seja novamente repetida, este ano;
- Não são necessários mais hotéis. É necessário requalificar a oferta hoteleira;
- Deve vender-se a experiência. Se se vender “Golfe nos Açores”, o
hotel viagem e refeições estão subentendidos e incluídos;
- A competição com outros destinos não deve ser feita ao nível do
preço. Os Açores não conseguem competir com as Caraíbas, Palma de Maiorca ou
Canárias a nível de preço.
- As rotas aéreas e marítimas devem ser pensadas na ótica dos turistas
e não dos residentes. Ex: os horários das ligações marítimas inter-ilhas devem
estabilizar pois se estiverem sempre a alterar correm o risco de vir a estragar
programação de agentes turísticos feita com meses de antecedência;
- Com todo o respeito pelos direitos laborais, as greves cirúrgicas que
temos vindo a assistir no setor dos transportes apenas prejudicam os operadores turísticos e o turismo
açoriano, numa perspetiva de “chantagem” com o poder regional;
- Deve existir apenas 1 hub de entrada nos Açores e esse hub deve ser
S. Miguel. Quando assim era, 60% dos turistas chegados a S. Miguel acabavam por
visitar outras ilhas. Há que primeiro consolidar S. Miguel e depois partir para as outras ilhas;
- Os transportes terrestres estão mal organizados e sinalizados. Como
explicar ao turista estrangeiro que nos Açores os táxis não têm taxímetros e é
tudo a “olhómetro”?
- Porque é que não é possível visitar o Algar do Carvão no inverno, nem
a pedido e com reservas de grupos de turistas feitas?
- Não foram faladas as 5 gateways de entrada e saída nos Açores.
Parece-me que esta é uma opção a repensar.
* Opinião de Tiago Matias