terça-feira, 23 de julho de 2013
quinta-feira, 18 de julho de 2013
O candidato do PSD à Câmara de Ponta Delgada
É preciso não esquecer que o candidato do PSD à Câmara Municipal de
Ponta Delgada, aparentemente personalidade de registo limpo, foi
vice-presidente do município então governado pela Dra. Berta Cabral – com os resultados
que todos conhecemos.
Agora presidente transitório e já assumido como candidato, o
social-democrata parece ter mudado radicalmente de postura.
É preciso não esquecer também que o candidato do PSD à Câmara Municipal
de Ponta Delgada foi, em 2010, mandatário de Pedro Passos Coelho nos Açores e
afirmou coisas como “a proposta do Dr. Passos Coelho significa muito para o PSD
e para o futuro de Portugal”. Também Pedro Passos Coelho parecia ser, em 2011,
um candidato com alguma sensibilidade social e uma opção a considerar. A
estratégia para o candidato autárquico do PSD a Ponta Delgada parece ser
decalcada dos acontecimentos nacionais de 2011. Com todo o prejuízo que daí
possa advir para Ponta Delgada.
O candidato do PSD à Câmara Municipal de Ponta Delgada optou por se
apresentar em cartaz azul, amplamente difundido pelo concelho apesar do próprio
ter anunciado que não iria fazer grandes gastos eleitorais em época de crise. É
óbvia a área onde o candidato do PSD está poupar e muito. Conforme o próprio afirmou
recentemente e em público, Bolieiro tem feito “do seu trabalho a sua campanha”.
Que é como quem diz da Câmara Municipal o seu gabinete de comunicação. De
facto, o candidato laranja não tem feito ações de campanha (apesar de se
desdobrar enquanto presidente), não tem emitido notas de imprensa (apesar do
frenesi do Gabinete de Imprensa da CMPD), não tem marcado presença nas redes
sociais nem no site do seu próprio partido (apesar do frenesi da página oficial
Facebook da CMPD). O candidato do PSD rejeita até o símbolo do seu partido,
reduzindo-lhe a dimensão e mudando-lhe a cor. Subterfúgios não auguram bom
futuro.
Porém, tudo isto são fait-divers numa campanha autárquica. O que é
realmente preocupante é que o candidato de um partido com a responsabilidade
regional do PSD não apresenta projeto para Ponta Delgada. Tem falado em
generalidades como a “aposta na reabilitação urbana”, na “revitalização do
centro histórico”, na “dinamização do comércio”, ou nas “políticas de
solidariedade e apoio às famílias”. Desconhecem-se (pelo menos até agora) as
estratégias concretas para a obtenção desses fins. Como o fará? Que programas e
em que moldes os criará? Que financiamentos? Que custos? E é isso que os
munícipes querem ouvir dos candidatos. É certo que o candidato do PSD à Câmara
de Ponta Delgada tem tomado recentemente boas medidas. Mas também é certo que
muitas destas medidas tinham vindo a ser propostas do grupo socialista na
Assembleia Municipal e na Vereação desde 2005, propostas essas guardadas na
gaveta quando era o número dois do município pontadelgadense.
Pelo contrário, o Dr. José Contente já mostrou que sabe o que quer
fazer. Prova disso é o facto do candidato do PSD se limitar a copiar as medidas
anunciadas pelo Dr. José Contente, num claro sinal de que a candidatura do PSD
não tem ideias e, menos ainda, ideias novas.
O candidato do PSD à Câmara Municipal de Ponta Delgada é uma incógnita
e os pontadelgadenses merecem mais que uma incógnita: merecem garantias.
Tiago Matias
Tradutor
sábado, 22 de junho de 2013
Frenesim autárquico
Todos os anos devia haver eleições autárquicas. Tenho dito. Ponta
Delgada, por exemplo, ascenderia rapidamente a patamares superiores – que lhe são
interditos há décadas.
A passada semana foi pródiga em trabalho para o Executivo Camarário de
José Manuel Bolieiro. Bolieiro duplicou as transferências para as freguesias,
anunciou uma sala de ensaios musicais no centro histórico, reforçou o apoio
social das festas do Divino Espírito Santo, eliminou barreiras arquitetónicas
nos Paços do Concelho, anunciou cadeiras de rodas anfíbias em todas as
praias/zonas balneares com Bandeira Azul, quer melhorar a ação na área da
igualdade de géneros, assegurou consultas de psiquiatria e psicologia aos
sem-abrigo, quer fomentar a cultura mesmo com poucos recursos, anunciou a
alteração do Plano Diretor Municipal para fixar empresas nas freguesias rurais,
vai apoiar a paróquia de s. José na recuperação do seu órgão, vai apoiar renda
dos escoteiros de Santo António enquanto não houver sede definitiva (já adjudicada).
O homem não pára. Até ao fim de semana e a altas horas da madrugada trabalha.
São estas medidas positivas, que apenas pecam por tardias para a cidade
e para as freguesias de Ponta Delgada. Algumas já haviam sido propostas pelo
PS/A há largos anos. Bom, antes tarde que nunca. Para já, fico satisfeito que
os pontadelgadenses sejam os grandes beneficiados deste frenesim.
Só que o “parecer” sobrepõe-se ao “ser” no caso de José Manuel Bolieiro.
Para quem afirmou categoricamente que a Câmara Municipal de Ponta Delgada “não
é uma sede partidária”, são múltiplas e variadas as promessas eleitorais feitas
pelo candidato Bolieiro a partir dos Paços do Concelho.
A verdade é esta: José Manuel Bolieiro não sabe separar as águas. Ou
pior ainda, utiliza deliberadamente a sua posição de poder para fazer campanha
com o dinheiro dos contribuintes.
É preciso não esquecer que o mesmo José Manuel Bolieiro foi
vice-presidente desta autarquia durante três anos e nunca durante esse período
fez tanto por Ponta Delgada como no último mês. Descobriu repentinamente novas
competências? Tomou alguma poção mágica? Este frenesim autárquico tem objetivos
claramente eleitoralistas. Após 29 de Setembro tudo regressará à calma costumeira,
caso Bolieiro saia vencedor do confronto autárquico com José Contente.
Ponta Delgada precisa de uma nova energia autêntica, de um novo e genuíno
presidente. Alguém que, com “saber de experiência feito” e com um projeto
dinâmico dê um novo impulso ao concelho de Ponta Delgada. Esse homem é, sem
dúvida, José Contente. Porque não basta “parecer”, é preciso “ser”.
Tiago Matias
Tradutor
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Incineradora em S. Miguel
Bom, eu reconheço que não sou especialista na
gestão/eliminação de resíduos sólidos urbanos. Mas hoje aprendi algumas coisas
sobre o projeto de incineradora proposto pela AMISM para S. Miguel:1) A incineradora a instalar dispõe de filtros de última geração, que reduzem substancialmente a emissão de dioxinas, o principal problema das incineradoras no passado. A incineradora será menos poluente do que a Central Termoelétrica do Caldeirão;
2) A incineração não é contrária à reciclagem; os resíduos recicláveis (papel, plásticos, vidro, metal) continuarão a ser separados e enviados para o continente, sendo entregues à Sociedade Ponto Verde. O envio destes resíduos gera receitas para os Açores, pagas pela SPV. Os materiais orgânicos continuarão a ser processados para compostagem;
3) A incineradora irá utilizar como combustível os pneus e óleos usados pelos veículos automóveis de S.Miguel. Um resíduo que tinha de ser transportado para o continente (queimando-se mais gasóleo e emitindo mais CO2) passa a ser um combustível. O calor gerado irá gerar eletricidade – complementando as fontes geoelétricas, hidroelétricas e eólicas - ajudando-nos também a libertarmo-nos da dependência do gasóleo;
4) Para além dos resíduos urbanos, a incineradora processará também resíduos empresariais.
5) Os pneus e óleos incinerados constituirão cerca de 10% dos materiais a incinerar e desta incineração será possível recuperar 99% da malha metálica integrada nos pneus, para reciclagem;
6) Os aterros são uma solução insustentável. A capacidade do aterro em utilização esgotar-se-á em 2015 e será necessário abrir outro aterro. Com as limitações de espaço inerentes a uma ilha é óbvio que os aterros não serão uma solução viável no longo prazo.
7) Neste momento trabalham cerca de 100 pessoas no Ecoparque, algumas das quais qualificadas. A incineradora deverá gerar emprego qualificado em S. Miguel;
8) Outras regiões insulares já adotaram a incineração como solução, nomeadamente a Madeira e as Canárias;
É também bastante importante realçar que a AMISM tem um rpograma de visitas de estudo ao Acoparque para que as crianças tenham contato direto com as quantidades de lixo geradas e para as sensibilizar para a redução e separação de lixos.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Sem medo de arriscar
Muita tinta tem rolado à conta da Associação Arrisca. O assunto tem
sido alvo das mais despropositadas observações e – considero – carece de uma
análise a frio. A associação Arrisca tem funcionado ao longo dos últimos anos
na Rua dos Capas, em instalações manifestamente insuficientes para os seus cerca
de 300 utentes. Destes, apenas uma minoria provoca desacatos cuja expressão
máxima passa por “falar alto e fazer barulho”, confessou a Dra. Suzete Frias no
programa Estação de Serviço. A esmagadora maioria está num processo de
recuperação de uma “doença do sistema nervoso central”, de acordo com a mesma
especialista.
Munidos do preconceito, os comerciantes do centro histórico de Ponta
Delgada prontificaram-se a fazer barulho e a pressionar o atual presidente
camarário José Manuel Bolieiro a contestar a decisão da mudança da Rua dos
Capas para a Rua do Aljube. Esta mudança é de apenas uns escassos metros. Assim
se viram dois aspetos fundamentais no comportamento de Bolieiro: 1) cede a pressões
de grupos organizados e 2) defende a máxima “longe da vista, longe do coração”,
uma vez que dos Capas para o Aljube a diferença é só esta: maior visibilidade.
Além disso, o vice-presidente durante três anos e agora presidente parece não
se preocupar nem apontar soluções para as situações deploráveis do Largo 2 de
Março, do Campo de S. Francisco ou da Calheta, locais prediletos dos toxicodependentes
que não recorrem aos serviços da Arrisca.
O candidato à Câmara de Ponta Delgada, José Contente, mediou – e bem –
as negociações para uma nova localização da Arrisca: no terreno anexo aos
Bombeiros de Ponta Delgada. Esta solução apresenta múltiplas vantagens:
permanece o atendimento na cidade de Ponta Delgada (de onde originam a maior
parte dos utentes), é prestado o serviço em espaço digno e contíguo aos
bombeiros (que poderão prestar auxílio em caso de emergência), é um espaço
recatado que protege a identidade dos utentes, existe a possibilidade de
reabilitação com uma eventual experiência profissional e integração do corpo de
bombeiros, é contributo financeiro para os bombeiros através da renda do
espaço. A proximidade à Escola Secundária das Laranjeiras e ao Parque Século
XXI é um não-problema, já que a entrada se faria pelo lado de S. Gonçalo e
existem no local gradeamentos que não permitem esse acesso.
De lamentar foi o episódio da afixação de faixas “metadona aqui não” na
Escola Secundária das Laranjeiras. Aqui, também, por vários motivos. É por
demais sabido que naquela escola (e noutras) circulam drogas sem controlo; a
metadona é uma terapia não um estupefaciente – a metadona é uma terapêutica
para o que começa muitas vezes com um “charrinho” nas escolas. Uma infelicidade
da qual nenhum de nós está livre.
É hoje público que esse movimento nas Laranjeiras foi incitado pela
Juventude Social Democrata dos Açores, já que o presidente da AE da mesma
escola veio denunciar a situação em comunicado.
José Contente é deputado à ALRA por S. Miguel e é também candidato à
Câmara Municipal de Ponta Delgada. Identificou uma solução para a Arrisca e
para o concelho e não hesitou em mediá-la (ainda que a isso não estivesse
vinculado). Pena seja que quem comanda os destinos de Ponta Delgada apenas
pretenda deitar abaixo a solução de José Contente, em vez de pensar em soluções
para os munícipes do “Concelho Feliz”.
Tiago Matias
Tradutor
sexta-feira, 17 de maio de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Resumo da Sessão de Esclarecimento sobre a Proposta de Restruturação do Sistema Regional de Saúde*
- Está neste momento em aberto um documento de reformulação do Sistema
Regional de Saúde (SRS). O Governo Regional dos Açores tem várias hipóteses em
aberto, estando a auscultar os parceiros e as populações;
- O SRS funciona numa lógica de há 30 anos atrás. Houve avanços tecnológicos
que ditam uma reformulação;
- Há que fazer distinções, centralizar o que pode ser centralizado e
vice-versa;
- Ao Secretário Regional da Saúde foi pedida sustentabilidade. Luís
Cabral distingue dois níveis de sustentabilidade: 1) organização e gestão
administrativa e 2) organização da prestação dos cuidados de saúde;
- Deve instituir-se apoio domiciliário nas situações de verdadeira
emergência, nos cuidados continuados e nas situações de saúde mental. Não deve
ser o paciente a deslocar-se a uma unidade de saúde. Os cuidados domiciliários
são para manter e, se possível, aumentar;
- Os centros de saúde deixam de ter SAP e passam a funcionar entre as
8h00 e as 20h00. Isso permitirá aos centros de saúde concentrarem-se em
situações de intervenção primária, deixando a intervenção de urgência para os
hospitais. Os hospitais, com os seus meios especializados, passam a responder
de forma mais proficiente às situações de urgência. O HDES passa a absorver
todas as situações de urgência da ilha de S. Miguel;
- Para problemas de saúde não urgentes, existe uma linha de apoio telefónico
que funcionará 24h. Do outro lado estará um enfermeiro que fará uma triagem,
encaminhando o paciente para terapêuticas que possa seguir em casa, indicando a
farmácia de serviço mais próxima e inclusivamente fazendo uma marcação para
consulta no dia seguinte no Centro de Saúde local;
- Propõe-se que os médicos de família aumentem o seu rácio de pacientes
atendidos de uma média de 1.500 para 1.900, com a devida compensação
remuneratória de horário extraordinário;
- Serão criados subsídios de fixação de médicos que decidam exercer na
Região por um período mínimo de 5 anos.
- Poderá haver necessidade de transferir médicos entre centros de saúde.
Não estão previstos despedimentos;
- Está proposta a integração de mais uma unidade SIV (viatura de
Suporte Imediato de Vida) em S. Miguel. Esta viatura ficará em princípio na
Ribeira Grande, por ser o segundo concelho mais povoado da ilha e por fazer
fronteira com todos os concelhos de S. Miguel. Não haverá aumento da frota de
ambulâncias atualmente existente na Ribeira Grande. As unidades SIV servem apenas de
apoio à frota de ambulâncias. A SIV é uma unidade de resposta rápida, com
equipamentos desfibrilhadores e outros. Os médicos recebem de imediato na central da Estação Açor a informação acerca das verdadeiras urgências, por telemetria –
podem assim preparar-se e chamar os
especialistas indicados para que tudo esteja pronto no Hospital para acolher o
paciente que irá chegar (ex: enfartes cardíacos, AVCs, traumatismos de
acidentes rodoviários…). As SIV funcionam entre as 8h00 e as 22h00. Em S.
Miguel são feitas 8 a 10 ativações por dia, Na Terceira 3 a 4 ativações por dia
e no Faial 1 ativação por dia. Nem todas são situações verdadeiramente
urgentes. Prioridades das SIV: cardiologia, AVC, traumatismos graves, paragens
respiratórias.;
- Não deve o SRS fazer concorrência aos privados, especialmente em
áreas onde estes prestam melhores serviços. Mas com a rede que o SRS dispõe,
deve esgotar-se primeiramente a capacidade de resposta do SRS e depois encaminhar
para os privados;
- Não há condições para manter serviço de obstetrícia no Pico. A OMS
estipula que um serviço de maternidade, para ser proficiente, deve apoiar no
mínimo 1500 partos anuais. No Pico nascem à volta de 65 crianças por ano. É
financeiramente insustentável ter no Pico todos os profissionais necessários
para os partos mais exigentes (obstetra, anestesista, etc…). Nascem por ano:
Ponta Delgada (1.570 crianças), Angra do Heroísmo (600 crianças), Horta (300
crianças);
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* Principais declarações prestadas pelo Secretário Regional da Saúde,
Dr. Luís Cabral, na opinião de Tiago Matias. Iniciativa promovida pelo Partido Socialista dos Açores.
terça-feira, 30 de abril de 2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
O candidato das ideias alheias
As eleições autárquicas aproximam-se e com elas todo um
frenesim político, característico.
Na Câmara Municipal de Ponta Delgada temos hoje um
presidente que herdou um legado difícil de gerir, fruto da sua predecessora
cuja gestão não foi, convenhamos, a ideal – particularmente do ponto de vista
financeiro. Isto poderia ser a premissa de um bom augúrio. Porém, infelizmente,
não o é.
O Dr. José Manuel Bolieiro tem seguido um rumo diferente na
sua gestão. Mas não deixa de ser importante recordar o seguinte: José Bolieiro
foi o vice-presidente de Berta Cabral durante três anos. Então porque não
implementou as medidas que tem vindo a promover ao longo dos últimos seis
meses? Ou porque é que não se debateu por elas, no mínimo? Porque permitiu o
município seguir na senda do endividamento? A resposta é simples; o agora
assumidamente candidato autárquico do PSD/A a Ponta Delgada está empenhado numa
tentativa de branquear o seu passado político e sacudir responsabilidades.
Numa análise, mesmo que superficial, verificamos que José
Bolieiro foi “beber” muitas das suas medidas às propostas do PS/A para Ponta
Delgada, ao longo dos anos.
Vejamos.
Bolieiro afirma que é “hora é de arrancar com uma estratégia
impulsionadora que envolva todos os agentes com interesse no desenvolvimento da
cidade”. O PS/A defende isto desde pelo menos 2005 – o diagnóstico está feito,
é hora de passar aos atos.
Bolieiro diminuiu a sobrecarga fiscal e de taxas municipais
sobre o negócio, a ocupação do espaço público e o licenciamento de obras
particulares. São estas reinvindicações precisamente do PS/A desde há quase uma
década.
O candidato do PSD afirmou que “o tempo da autarquia andar
de costas voltadas para o Governo Regional tem de passar”. Ninguém objetou mais
a postura de “orgulhosamente sós” que Berta Cabral inculcou no município de
Ponta Delgada, que o PS/A. Aliás, esta lógica concorrencial não tem o mínimo
sentido. Independentemente das cores políticas, freguesias, autarquias e
governo regional têm de trabalhar em articulação, em prol de quem realmente
conta – a população.
José Manuel Bolieiro quer
agora apostar na “coesão territorial e social, descentralizando e reforçando os
meios financeiros de todas as freguesias de Ponta Delgada”. Esta última frase é
praticamente tirada a papel químico do discurso de anúncio de candidatura do
candidato socialista, o Dr. José Contente.
Por outro lado o facto de José Contente estar já a
apresentar propostas tão concretas, a sensivelmente meio ano das eleições, é
prova de que o candidato socialista está empenhado em soluções que tirem o
município de Ponta Delgada do marasmo em que este se encontra. O facto de José
Contente defender os apoios sociais em detrimento do investimento em
infraestruturas é prova de que o PS/A apresenta um candidato sensível aos
tempos difíceis em que vivemos. O facto de José Bolieiro vir nesta altura –
estrategicamente – fazer uma aproximação aos ideais de esquerda apenas prova
que Bolieiro é um verdadeiro candidato das ideias alheias.
Tiago Matias
Tradutor
segunda-feira, 15 de abril de 2013
sábado, 13 de abril de 2013
Tópicos mais importantes da conferência “TEDx Ponta Delgada”*
www.tedxpontadelgada.com
“A pérola e a cebola: reflexões
sobre ciência e fé” - António Frias Martins
- O caminho para a sabedoria é olharmos para dentro e conhecermo-nos a
nós próprios;
- Existem três perguntas essenciais que nos devemos colocar a nós
próprios: “Porque sou?”, “Quem sou?” e “O que sou?”;
- O “Porque sou?” é abordado através da fé;
- O “Quem sou?” é abordado através da filosofia;
- O “O que sou?” é abordado através da ciência;
- A Fé é a aceitação da proposta sem evidência científica;
- Paradoxo da pérola e da cebola; A pérola é formada no interior da
ostra devido à sucessiva deposição de camadas de nácar sobre um organismo
estranho, um grão de areia. A pérola é, basicamente, uma reação alérgica. É
bonita por fora, mas formada a partir de um centro morto. A cebola é um legume
que aparentemente não é nada de especial. Também ela é formada através de
sucessivas camadas, mas com uma diferença – a cebola tem um centro vivo.
Vídeo exibido no TEDx PDL
“Os Açores do futuro – mais complementaridade, menos rivalidade” - Nuno Tomé
- O que pode ligar os Açores, um barco de papel e o José Mourinho?
- Em 1895, Francisco Corte Real empreendia uma viagem que uniu Angra do
Heroísmo a Ponta Delgada, num barco chamado Autonomia, feito em madeira e
revestido a papel de jornal. Foi um esforço de união do arquipélago;
- Hoje, os Açorianos são e estão diferentes;
- Tal como José Mourinho consegue coordenar todos os egos dos jogadores
das suas equipas, também as várias ilhas dos Açores podem colocar de parte as
suas rivalidades. Há que apostar na complementaridade;
- Devemos continuar a navegar, nem que seja num barco de papel, apostar
na complementaridade entre ilhas e aprender a gerir bem os egos de cada ilha,
tal como Mourinho faz com os seus jogadores;
“As aventuras de um português
nos Açores” - Luís Cardoso
- Desde os tempos antigos que o Homem comunica com desenhos, nas
cavernas. Hoje em dia é com muito gosto que viajo pelas escolas, para tentar
incutir e recuperar nos jovens o gosto pela banda desenhada;
- Mais que uma terra de oportunidades, os Açores são uma terra de
possibilidades;
- Nos Açores existem facilidades, o que não significa facilitismos. As
facilidades são que quem quer fazer, encontra condições. Os facilitismos são
quando alguém nos “carrega ao colo”. Nos Açores há espaço para crescer, para
quem quiser fazer o caminho;
- As pessoas vivem agarradas às coisas;
- O centralismo existe em toda a parte. Se nos Açores as coisas tendem
a centralizar em S. Miguel, no país as coisas tendem a centralizar em Lisboa e
na Europa as coisas tendem a centralizar na Alemanha;
- Muitas vezes vemos a roupa suja pendurada no quintal do vizinho e
esquecemo-nos que podemos ser nós que temos os vidros das nossas janelas sujos;
- Todos nós consumimos algo que já foi feito. A folha em branco é o que
nos permite deixar algo para que os outros consumam;
"O Outro lado de mim" - Sonasfly
"O Outro lado de mim" - Sonasfly
Vídeo exibido no TEDx PDL
“Açores, um oásis no Atlântico”
- Nuno Sá
- Quando para cá vim, os Açores pareciam um mar de oportunidades a
explorar;
- Não pode haver muitos sítios onde se concentrem cerca de 1/3 das
espécies de baleias e golfinhos do planeta;
- Conselho que Nuno Sá recebeu de um grande fotógrafo internacional de
vida selvagem: “Tu vives num dos sítios com maior biodiversidade do planeta.
Esquece o resto do mundo e concentra-te em mostrar os Açores aos Açorianos, aos
Portugueses e ao Mundo”;
- O maior e o 2º maior peixe do mundo estão nos Açores. O tubarão baleia
e o tubarão frade, respetivamente;
- Não temos reservas para a prática de mergulho nos Açores, com exceção
da Reserva Voluntária do Caneiro dos Meros, instituída no Corvo pelos
pescadores locais. Esta reserva tem o tamanho aproximado de um campo de futebol;
- Temos cachalotes todo o ano, nas nossas águas;
- Os Açores concentram 500 espécies de peixes, 20 espécies de baleias e
golfinhos e 5 das 7 espécies de tartarugas marinhas do mundo;
Vídeo exibido no TEDx PDL
“Vida e morte do património cultural” - Susana Goulart
- O passado tem de ser revivido com o nosso olhar atual;
- Há uma sede de conservação e de preservação, mas por vezes não há mal
em deixar o património “morrer”. Ex: um museu pode estar fechado durante anos e
depois reabrir, que pode muito bem ser o caso do Museu Carlos Machado;
- Os museus parece que ficaram presos no século XIX e esqueceram-se que
estão no Século XXI. Talvez por isso muitas vezes não consigam cativar os
jovens, que os consideram “aborrecidos”;
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Tópicos mais importantes da conferência “Turismo nos Açores: que Futuro?”*
Pedro Costa Ferreira (Presidente
da APAVT)
- Para combater a sazonalidade do turismo açoriano, devem organizar-se
eventos “âncora” fora das épocas altas;
- Os privados devem ser integrados e consultados nos processos de
tomada de decisão da estratégia para o turismo nos Açores;
- Três fatores mais importantes para a promoção dos Açores: “condições
naturais”, “autenticidade” e “segurança”;
- Conceito “Low Cost” é pão para hoje e fome para amanhã;
- As companhias aéreas tradicionais estão connosco nos bons e nos maus
momentos. As Low Cost só estão connosco nos bons momentos e depois abandonam o destino;
- Importante diversificar os mercados emergentes. Aposta nos EUA, se
bem gerida, é boa ideia no médio/longo prazo;
Oscar Corduras (Instuto de Formación Directiva – Barcelona)
- As Low Cost não vendem lugares a passageiros; vendem
passageiros a destinos. E se a viagem é barata, é porque é o destino que a está
a pagar.
- Há que melhorar a hospitalidade dos serviços hoteleiros e da restauração açoriana.Oscar Corduras (Instuto de Formación Directiva – Barcelona)
- É necessário que os açorianos reflictam se querem mesmo o turismo de
massas para o Arquipélago. Consequências nefastas do turismo de massas (sol e
praia):
- Destrói a
natureza, como nas Canárias os hotéis ocuparam a paisagem;
- Gera benefícios
para poucos e malefícios para todos os outros;
- Artificializa o
destino. O turista deixa de vir para desfrutar das características únicas do
destino e passa a vir para usar o espaço para diversão;
- Assim que a
massificação é implementada, é irreversível;
- Encarece o
comércio local e expulsa o turismo local e nacional;
- Regista-se o
aumento da criminalidade;
-
A entrada num mercado saturado (turismo de massas) obriga à guerra de preços
entre destinos;
- No mundo ocidental estamos a assistir ao
declínio da unidade familiar; a decisão de casar é cada vez mais tardia, há
pessoas que decidem ficar solteiras e há cada vez mais divórcios. Deve haver
ofertas turísticas adequadas a estas novas condições sociais. Apostar em
ofertas para grupos de amigos, solteiros, mulheres e casais de namorados;
- “Existem jovens com muito dinheiro, jovens
com pouco dinheiro e jovens sem dinheiro”. Porém, quando um jovem viaja tende a
publicar as suas experiências nas redes sociais e isso pode ter um efeito
multiplicador;
- Paciência e prudência. Os resultados
chegam;
- Como é visto o turista? Como uma fonte de
rendimento? O turista é um convidado com quem “partilhamos a nossa casa”;
- Deve ser feita uma aposta na melhoria da
qualidade de atendimento. Não existe uma 2ª oportunidade de criar uma 1ª boa impressão;
- O que esperar de um turista que viaje em
Low Cost? Que gaste muito dinheiro no destino? Não me parece.
Francisco Silva (Escola Superiorde Turismo e Hotelaria do Estoril)
- Deve apostar-se em segmentos de turistas “repetentes”. Ex: golfe,
geoturismo, vulcanologia;
- Porque não vender o produto “concertos de música clássica no Algar do
Carvão”?
- Deve apostar-se em, primeiro, criar as condições ideais para
determinada prática. Porque não criar condições de conforto para a prática de
mergulho, que não impliquem que os turistas carreguem com as botijas e com o
equipamento no final da atividade, muitas vezes com frio e com chuva? Porque
não criar condições de excelência para a prática de Canyoning nas Flores? Uma
vez criadas essas condições, o turismo surge;
- Precisamos de mais pessoas formadas em
turismo e de maior transparência sobre as tomadas de decisão do poder. Os
valores de investimentos e campanhas devem estar disponíveis na internet;
Cláudia Faias (Grupo Ciprotur)
- O tecido empresarial da hotelaria açoriana é maioritariamente
constituído por empresas familiares (60%);
- Para combater a sazonalidade, uma aposta nos meses de inverno poderá
ser a organização de eventos e a promoção de encontros de negócios
(congressos);
- Devemos diversificar os mercados emissores e não nos basearmos apenas
nos emissores tradicionais;
- No decorrer do último ano, a carga fiscal tem vindo a asfixiar o
setor do turismo nos Açores (aumentos de IVA na restauração, IMI, IRC, tarifas
de eletricidade)
Rodrigo Rodrigues (Estalagem deS. Sebastião, Terceira)
- Nos últimos 2 anos, a hotelaria açoriana perdeu 200.000 dormidas
provenientes do mercado nacional;
- As responsabilidades não são exclusivas do poder público; Também os
privados têm a sua quota de responsabilidade. “Se o cliente está na China, é lá
que os privados o devem ir buscar”;
- “Na Região trabalhamos o turismo de forma amadora, com custos
profissionais”;
- Deverão ser realizadas com caráter de urgência jornadas técnicas de
trabalho, auscultando os intervenientes privados no setor;
- “Em 2013 registaram-se nos Açores 6 unidades hoteleiras encerradas (2
por insolvência, 2 por estratégia empresarial e 2 que nunca chegaram a abrir”;
Francisco Gil (Associação deTurismo dos Açores)
- É necessário promover as atividades de nicho nos mercados certos. Ex:
não vale a pena promover whale watching em Boston, quando em Boston essa atividade
está disponível;
- Fazer promoção é diferente de fazer publicidade. A publicidade em
publicações generalistas pode trazer resultados zero;
- A aposta de promoção dos Açores tem sido feita tanto em feiras
generalistas (de turismo), como de especialidade (mergulho, pedestrianismo,
etc.)
- As Press Trips (trazer jornalistas de OCS ao arquipélago para que
relatem a sua experiência) são uma forma económica de criar “buzz” (chamar a
atenção) para os Açores nos Órgãos de Comunicação Social;
- Em vez de querer captar turistas com rede, por arrastão, são muito
mais eficazes técnicas de “pesca à linha” (promoção muito mais diferenciada e
segmentada); Ex: Ben Fogle, praticante de desportos náuticos tem sido “embaixador
dos Açores" em Londres, com resultados muito positivos;
- O esforço tem sido feito para consolidar os mercados emissores
tradicionais dos Açores (Portugal, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Escandinávia…),
mas também para apostar nos mercados emergentes, assim que surge uma
oportunidade económica identificada (Brasil, Rússia, Polónia…);
Tiago Raiano (Grupo Soltropico)
- Devem ser aproveitadas as oportunidades para repensar o conceito a
vender ao público. Por exemplo, Barcelona aproveitou os Jogos Olímpicos para
reforçar a sua ligação ao mar. No Rio de Janeiro está a acontecer uma dinâmica
semelhante (Jogos Olímpicos e Mundial de Futebol em 2016);
- Mais do mesmo mas com mais capacidade tem levado à destruição de
valor;
- A promoção dos Açores tem sido bem desenvolvida, não é isso que está
em causa. Ex: Há anos atrás existiam vários stands dos Açores na BTL. Hoje essa
presença está unificada;
- Existe demasiado “ruído”. A promoção deve ser “Açores” e não “S.
Miguel”, “Terceira” ou “Faial”;
- A campanha realizada junto das crianças em idade escolar no
continente foi inovadora e eficaz. Nunca nenhum outro destino trabalhou assim
as bases. É de louvar que esta ação seja novamente repetida, este ano;
- Não são necessários mais hotéis. É necessário requalificar a oferta hoteleira;
- Deve vender-se a experiência. Se se vender “Golfe nos Açores”, o
hotel viagem e refeições estão subentendidos e incluídos;
- A competição com outros destinos não deve ser feita ao nível do
preço. Os Açores não conseguem competir com as Caraíbas, Palma de Maiorca ou
Canárias a nível de preço.
- As rotas aéreas e marítimas devem ser pensadas na ótica dos turistas
e não dos residentes. Ex: os horários das ligações marítimas inter-ilhas devem
estabilizar pois se estiverem sempre a alterar correm o risco de vir a estragar
programação de agentes turísticos feita com meses de antecedência;
- Com todo o respeito pelos direitos laborais, as greves cirúrgicas que
temos vindo a assistir no setor dos transportes apenas prejudicam os operadores turísticos e o turismo
açoriano, numa perspetiva de “chantagem” com o poder regional;
- Deve existir apenas 1 hub de entrada nos Açores e esse hub deve ser
S. Miguel. Quando assim era, 60% dos turistas chegados a S. Miguel acabavam por
visitar outras ilhas. Há que primeiro consolidar S. Miguel e depois partir para as outras ilhas;
- Os transportes terrestres estão mal organizados e sinalizados. Como
explicar ao turista estrangeiro que nos Açores os táxis não têm taxímetros e é
tudo a “olhómetro”?
- Porque é que não é possível visitar o Algar do Carvão no inverno, nem
a pedido e com reservas de grupos de turistas feitas?
Paulo Simões, no encerramento
(Diretor do Açoriano Oriental)
- Não foram faladas as 5 gateways de entrada e saída nos Açores.
Parece-me que esta é uma opção a repensar.
* Opinião de Tiago Matias
sexta-feira, 15 de março de 2013
O gigantesco desafio do emprego nos Açores
Não sendo alheios à realidade nacional, os Açores estão perante um
período doloroso – quer para as empresas, quer para as famílias.
Numa economia intrinsecamente modesta, torna-se cada vez mais difícil
manter postos de trabalho. Porém, os empresários açorianos resistem como podem
e acredito que apenas recorram ao despedimento em último caso.
O Governo Regional, confrontado com uma conjuntura de grande
adversidade, tem tomado medidas muito concretas através da Agenda Açoriana para
a Criação de Emprego e Competitividade: a criação do programa de incentivo à
Criação do Próprio Emprego (CPE) – PREMIUM; o Programa de Incentivo à Inserção
dos Estagiários L e T (PIIE) no tecido empresarial; e o reforço do potencial
produtivo regional que pretende facilitar a comercialização dos produtos
regionais na hotelaria e na restauração. Outra das medidas assumidas pelo
Executivo de Vasco Cordeiro é o estabelecimento de prioridade nos programas de
emprego para casais em que ambos os membros se encontrem numa situação de
desemprego.
Por outro lado, o Secretário Regional do Turismo e Transportes, Vítor
Fraga, revelou na BTL uma nova estratégia para o turismo nos Açores assente nas
experiências em família, o que proporciona novos desafios aos empresários do
sector, criando novas oportunidades de gerar receita. A criação da Via Verde
para as Exportações é outro dos mecanismos previstos para aumentar as receitas
dos empresários açorianos.
Assim se vai procurando combater o desemprego nos Açores, face ao que
vai sucedendo no restante território nacional.
Na última década tombaram em Portugal 500 mil postos de trabalho.
Porém, deve realçar-se que apenas num ano, em 2012, desapareceram 205 mil
postos de trabalho: graças à governação austera PSD-CDS/PP, que empurrou o
emprego para níveis de 1995. Como se estes indicadores não fossem
suficientemente preocupantes, Pedro Passos Coelho ainda se atreve a sugerir uma
redução do salário mínimo nacional. Encapotadamente, este executivo nacional já
baixou os ordenados a todos os portugueses através da via dos impostos, diretos
e indiretos. No mínimo: uma vergonha.
No Arquipélago, o PSD/A entretém-se a “desafiar” o PS/A e o GRA a
aprovar as suas propostas, numa postura de infantilidade política. Houvesse
maturidade no PSD/A e o desafio seria apontado ao PSD nacional, no sentido de
atenuar o esforço que tem vindo a ser imposto a todos os portugueses.
Não tenhamos dúvidas; a criação de emprego (e emprego digno!) é o
grande desafio dos Açores na(s) próxima(s) década(s). Não é algo que deva ser
encarado com leviandade, nem aproveitado para jogadas políticas de uma oposição
que procura desesperadamente o seu rumo. Nem o emprego se cria por decreto.
Na minha perspetiva, a criação de emprego na Região passa pelo aumento
das exportações, pelo aumento das receitas do turismo, pelo reforço do empreendedorismo
e pela criação de condições favoráveis para que as empresas (nacionais ou
internacionais) se multipliquem em território açoriano.
In Açores9:
In Terra Nostra:
Também: psacores.org, jornaldiario.com, Açores9, O Breves, Jornal do Pico, Terra Nostra
In Açores9:
In Terra Nostra:
In Jornal do Pico:
Também: psacores.org, jornaldiario.com, Açores9, O Breves, Jornal do Pico, Terra Nostra
Tiago Matias
Tradutor
domingo, 24 de fevereiro de 2013
A República trilha um caminho perigoso
“Grândola Vila Morena”, do saudoso e malogrado Zeca Afonso ressuscitou
concomitantemente com o abrir de olhos do povo português, denunciando que algo
está efetivamente podre no Reino de Portugal.
Em apenas dois dias o Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares,
Miguel Relvas, conseguiu ser apupado e ouviu do Povo a música de Abril. Numa
dessas ocasiões até trauteou o refrão da canção: tudo o que sabia. O Ministro
da Saúde, Paulo Macedo, também foi agraciado com tal brinde. Tal já havia
acontecido em plena Assembleia da República com o Primeiro-Ministro, Pedro
Passos Coelho.
Todas estas manifestações resultam da obstinação deste Governo
PSD-CDS/PP pela austeridade que espartilha a vida dos cidadãos portugueses, a
riqueza do nosso país. Paralelamente a isso, assisto ao caminhar do país numa
direção que em nada nos deve orgulhar. Em pouco menos de dois anos, este
Governo da República tem vindo a desmantelar o Estado Social e a implementar o
“Estado Pidesco”. Enquanto fechava escolas e serviços de saúde, o Executivo de
Passos Coelho aprovava o OE2013, com uma particular medida de combate à evasão
fiscal que até é uma tentativa de contender o problema: a recuperação de 5% do
Iva despendido em cabeleireiros, oficinas mecânicas, alojamentos e restauração.
A medida peca apenas pelos valores irrisórios a reaver pelos contribuintes mas
sempre me fez “comichão” por colocar os portugueses a policiarem-se uns aos
outros, de borla, para o Estado. Mas o pior ainda estava para vir.
Então não é que o Conselho de Ministros aprova a emissão de multas
entre 75 a 2.000€ para quem não solicitar fatura? A ação dos governantes foi
tão eficaz que surpreendeu até a Autoridade Tributária que já veio a público
anunciar que não tem nem meios nem estatuto legal para fiscalizar os cidadãos.
Nos Açores, o Presidente do Grupo Parlamentar do PS/A, Berto Messias,
encara com apreensão as novas regras de faturação e alerta a potencial
excessiva burocratização, ainda que o Governo Regional se veja nesta matéria
forçado a cumprir a legislação nacional.
Outra notícia que também me chocou profundamente foi a identificação
pela PSP dos cantores de Grândola Vila Morena. Mas a que título? Com que
direito? Não foram apresentadas queixas, mas os cantores estão identificados.
Seguindo os conselhos do Primeiro-Ministro, os jovens – qualificados ou
não– estão a fugir em debandada para outras paragens.
Tudo isto contribuirá para um perfil muito diferente do nosso país, nos
próximos anos. Um país mais envelhecido, mais desempregado, mais falido, com
taxas de criminalidade mais elevadas, afogado em impostos. E quem sabe, com
proibição de ajuntamentos superiores a três indivíduos, impostos sobre
isqueiros e acendedores, com reforço das secretas e pendendo um lápis azul
sobre a imprensa?
É que não gosto mesmo nada disto.
Tiago Matias
Tradutor
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Um congresso produtivo
Hoje em dia somos confrontados com múltiplas notícias, provenientes de múltiplas fontes. Por outro lado, é certo e sabido que a Europa atravessa um período financeiro difícil, o que se traduz necessariamente em Portugal e, por inerência, nos Açores.É neste contexto que o Partido Socialista dos Açores organiza o seu XV Congresso, decorrido há dias, no Faial.
E não se tratou, efetivamente, de um congresso de aparências e de cumprimento de calendário. De entre os vários intervenientes surgiram novos discursos e novas propostas para os Açores: prova inequívoca que estamos perante um partido com história, mas também com juventude e com vigor. Um partido que se afirma como um firme defensor da Autonomia. É disto exemplo o texto patente na Moção de Orientação Política Global “Renovação com Confiança por uma Autonomia com Futuro”, relativamente à exploração da riqueza dos leitos marinhos dos Açores. Uma riqueza para já intocada e por explorar, mas que o Governo da República de Passos Coelho se prepara para rapinar, como salvatério da terrível situação de austeridade em que tem colocado o país nos últimos dois anos.
Um exemplo que encontra analogias na situação da Base das Lajes, em que o Governo da República negoceia diretamente com os Estados Unidos da América, remetendo para a margem o Governo Regional dos Açores – uma situação que o PS/A pretende modificar.
Num congresso partidário, cujo intuito é fomentar a discussão interna, foram eleitos novos órgãos dirigentes, assistimos às intervenções de António José Seguro e de António Costa – que irão disputar em breve a liderança do Partido Socialista nacional – assistimos à eleição de Carlos César como Presidente Honorário do PS/A e foram ainda apresentadas as linhas de orientação para o próximo combate político: as eleições autárquicas.
Foi também durante o congresso do Faial que Vasco Cordeiro, líder incontestável dos socialistas açorianos, anunciou pelo menos três linhas de ação muito concretas e com reflexos diretos na vida das açorianas e dos açorianos. Falo, pois, da atribuição de trinta milhões de euros para a Saúde, do aumento de 3% no complemento regional de pensão e da proposta ao Terreiro do Paço para a manutenção do diferencial fiscal nos Açores.
Conclui-se assim que o XV Congresso do PS/A cumpriu o seu propósito: o de reforçar o Partido Socialista dos Açores para fazer face aos enormes desafios com que todos os açorianos estão confrontados no futuro próximo.
Foto: PS/A.
Publicado em: PS Açores, Jornaldiario.com, Açores9,
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
O vício da austeridade
Está assim decidido: os açorianos vão pagar mais impostos e acabou. O diferencial fiscal entre os Açores e o continente passa dos atuais 30% para 20%. Na prática, os açorianos sofrerão aumentos de 1% nas taxas reduzida e intermédia (de 4 e 9 para 5 e 10%, respetivamente) e um aumento de 2% na taxa normal (de 16 para 18%). Também as empresas saem penalizadas, com o aumento de IRC dos atuais 17,5 para 20%.
Este é o cenário para 2014, se o Executivo de Passos Coelho ainda tiver tempo de mandato suficiente para levar a sua avante, com a aprovação da nova Lei de Finanças Regionais.
Os Açores, região considerada financeiramente equilibrada pela Troika, sofrem por vontade do Governo da República liderado pela coligação PSD/CDS-PP.
Ignorando a condição ultraperiférica dos Açores – com as dificuldades económicas inerentes e sobejamente conhecidas – o Governo da República prefere espartilhar ainda mais a situação financeira dos açorianos em período económico adverso, com uma medida cujo retorno será mínimo para a República.
Ora, não há necessidade de persistir na austeridade só porque sim. Não, quando os Açores apresentam níveis de endividamento perfeitamente controlados. Não quando os açorianos já são penalizados q.b. nos impostos sobre o rendimento e sobre o consumo. Não, quando está por demais demonstrado que em época de crise o aumento de impostos não se traduz necessariamente em aumento da receita fiscal. Não quando – tal como demonstram os anos em que o diferencial está em vigor – não subsiste qualquer concorrência fiscal desleal da parte das empresas açorianas em relação às empresas sedeadas no continente.
Sendo certo que esta é uma decisão que está nas mãos dos deputados à Assembleia da República, recai sobre os deputados eleitos pelo círculo eleitoral dos Açores defender a Região. Do lado do PS/A, parece-me que a situação é clara: o voto será contra a redução do diferencial. O recém-eleito líder do PSD/A, Duarte Freitas, também já advertiu Pedro Passos Coelho que os deputados social-democratas deverão votar contra.
O Governo Regional dos Açores já anunciou estar a trabalhar com o Ministério das Finanças com o objetivo de “aperfeiçoar, de forma rigorosa, o modelo apresentado, bem como assegurar que, da conjugação do novo sistema de transferências do IVA e das transferências orçamentais, não resulte qualquer diminuição líquida de recursos financeiros para a Região”.
Tivesse o Governo da República este tino, e não persistiria em manter o vício da austeridade: procuraria antes formas de acabar com esta dependência doentia e de não acabar com uma réstia de esperança que os portugueses ainda possam ter.
Publicado em: psacores.org; jornaldiario.com
Este é o cenário para 2014, se o Executivo de Passos Coelho ainda tiver tempo de mandato suficiente para levar a sua avante, com a aprovação da nova Lei de Finanças Regionais.
Os Açores, região considerada financeiramente equilibrada pela Troika, sofrem por vontade do Governo da República liderado pela coligação PSD/CDS-PP.
Ignorando a condição ultraperiférica dos Açores – com as dificuldades económicas inerentes e sobejamente conhecidas – o Governo da República prefere espartilhar ainda mais a situação financeira dos açorianos em período económico adverso, com uma medida cujo retorno será mínimo para a República.
Ora, não há necessidade de persistir na austeridade só porque sim. Não, quando os Açores apresentam níveis de endividamento perfeitamente controlados. Não quando os açorianos já são penalizados q.b. nos impostos sobre o rendimento e sobre o consumo. Não, quando está por demais demonstrado que em época de crise o aumento de impostos não se traduz necessariamente em aumento da receita fiscal. Não quando – tal como demonstram os anos em que o diferencial está em vigor – não subsiste qualquer concorrência fiscal desleal da parte das empresas açorianas em relação às empresas sedeadas no continente.
Sendo certo que esta é uma decisão que está nas mãos dos deputados à Assembleia da República, recai sobre os deputados eleitos pelo círculo eleitoral dos Açores defender a Região. Do lado do PS/A, parece-me que a situação é clara: o voto será contra a redução do diferencial. O recém-eleito líder do PSD/A, Duarte Freitas, também já advertiu Pedro Passos Coelho que os deputados social-democratas deverão votar contra.
O Governo Regional dos Açores já anunciou estar a trabalhar com o Ministério das Finanças com o objetivo de “aperfeiçoar, de forma rigorosa, o modelo apresentado, bem como assegurar que, da conjugação do novo sistema de transferências do IVA e das transferências orçamentais, não resulte qualquer diminuição líquida de recursos financeiros para a Região”.
Tivesse o Governo da República este tino, e não persistiria em manter o vício da austeridade: procuraria antes formas de acabar com esta dependência doentia e de não acabar com uma réstia de esperança que os portugueses ainda possam ter.
Publicado em: psacores.org; jornaldiario.com
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Este país não é para novos
Aprovado que está o OE2013, não se auguram melhorias para a situação
económica do país num futuro próximo. Isto condiciona, obviamente, a Região
Autónoma dos Açores. O Orçamento do Estado para o ano que vem é profundamente
centralista: um ataque aos Açores.
Na saúde pretende-se agora passar o ónus das despesas dos tratamentos a
açorianos, feitos no continente, para o Governo Regional.
Está também aprovado o aumento da sobretaxa de IRS para os funcionários
públicos da Região. Na prática, o Governo Regional passa a descontar uma contribuição para a Caixa Geral de
Aposentações de 20% pelos seus funcionários públicos, em contraposição
aos atuais 15%.
A sobretaxa extraordinária em sede de IRS (3,5%) passará a reverter
para a República, violando a Lei das Finanças Regionais, que estipula
claramente que as regiões autónomas devem dispor das receitas fiscais nelas
cobradas ou geradas.
Todas estas medidas, à falta de melhor termo, constituem um assalto aos
cofres da Região.
É preciso que se diga que este OE, aprovado após as eleições regionais,
foi favoravelmente votado pelos três deputados do PSD/A na República, eleitos
pelo círculo eleitoral dos Açores. Com os votos a favor dos deputados
sociais-democratas e com a conivência do Presidente da República.
À luz destes acontecimentos – e bem –o grupo parlamentar do PS/A
anunciou que irá requerer junto do Tribunal Constitucional a fiscalização
sucessiva do OE2013, já que Cavaco Silva se remete (uma vez mais) ao silêncio. A
iniciativa do PS/A deriva do facto do OE2013 colocar “em causa questões
basilares do nosso regime Autonómico, usurpando competências e receitas da
região”, conforme explicou Berto Messias. Haja ao menos quem nos defenda.
Como se não bastasse mandar os jovens emigrar, o Executivo de Passos
Coelho conjetura medidas tão insensatas como passar a cobrar propinas no ensino
secundário (embora depois tenha recuado nesta, visto que é claramente
anti-constitucional) e na penhora de bens a jovens universitários que tenham
propinas em atraso. Em Portugal, ainda o jovem não começou a sua vida adulta e
já está confiscado, pelo crime de ter almejado uma educação de nível superior.
Os Açores, na sua ultra-periferia, sofrem particularmente com tudo isto.
A nossa economia sofre de conhecidos constrangimentos e tem sido fortemente
debilitada pelos acontecimentos dos últimos anos, apesar de todas as medidas
que o Executivo Regional tem vindo a empreender para travar o descalabro. A
América e o Canadá estão logo ali, dispostos a aceitar quem queira abraçar
novas oportunidades – algo não inédito na Região.
O país que está a ser moldado não é para novos. Mas terão de ser
necessariamente os jovens a dar a volta a esta situação difícil; é este o
dilema em que nos encontramos.
Resta a satisfação de saber que acaba de entrar em funções um Executivo
Regional renovado e competente, que defenderá os açorianos até às últimas
instâncias.
Tiago Matias
Tradutortasmatias@gmail.com
Publicado em: jornaldiario.com, Açores 9
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
De Luva Branca
De Luva Branca
Consumada que foi a confiança que os Açorianos tornaram a
depositar no Partido Socialista, o Executivo Regional liderado por Vasco
Cordeiro não perde tempo. O Presidente de todos os açorianos respondeu com toda
a classe aos agoureiros do costume, que vaticinavam que o Governo de Vasco
seria um “governo fantoche”, um “governo de continuidade” ou simplesmente uma “operação
cosmética”.
Tiago Matias
Tradutor
tasmatias@gmail.com
*Copyright Foto: http://www.flickr.com/photos/vascocordeiro/
Consumada que foi a confiança que os Açorianos tornaram a
depositar no Partido Socialista, o Executivo Regional liderado por Vasco
Cordeiro não perde tempo. O Presidente de todos os açorianos respondeu com toda
a classe aos agoureiros do costume, que vaticinavam que o Governo de Vasco
seria um “governo fantoche”, um “governo de continuidade” ou simplesmente uma “operação
cosmética”.
Sem grandes dilações, Cordeiro apresentou um Executivo
fresco, no qual apenas repete Sérgio Ávila como Secretário Regional. Trata-se
pois de um Governo renovado: em carreira política e em idade. Piedade Lalanda
(51), Luís Mendes Cabral (33), Luiz Fagundes Duarte (58), Vítor Fraga (42),
Luís Neto de Viveiros (54) e Rodrigo Vasconcelos de Oliveira (36).
Para a Presidência da Assembleia Legislativa Regional, outra
ousada jogada: a escolha recaiu sobre Ana Luísa Luís, de apenas 36 anos de
idade – mas cujo percurso profissional fala por si: economista e ex-Presidente
da Sociedade de Promoção e Reabilitação de Habitação e Infra-estruturas.
O Grupo Parlamentar do PS apresenta uma média de idades que
rondará os 40 anos de idade, integrando estreantes com parlamentares
experientes, alguns deles independentes. Ao leme continua Berto Messias - jovem
e versado. À data a que escrevo, não são ainda conhecidos os Diretores
Regionais, mas suspeito fortemente que obedecerão a esta lógica de renovação
com confiança.
Tendo dez dias de prazo para entregar o programa para a XI
Legislatura Açoriana, Vasco Cordeiro apresenta-o logo no primeiro dia. Prova de
que se apresentou a sufrágio com propostas concretas, sabe o que quer e está
preparado para os desafios que se impõem aos Açores.
Nos primeiros dias de mandato, Vasco Cordeiro cumpre outra
promessa eleitoral: na orgânica do seu governo elimina três Direções Regionais
“cortando gorduras”, como o Governo da República gosta de dizer, mas não de
fazer.
Temos, pois, boas condições para superar com sucesso os
desafios que se adivinham. Que passam pela defesa da Autonomia, já que no
continente parece reinar o centralismo e as privatizações ao desespero – quase
sempre mau negócio para Portugal, em que muitas vezes os Açores não são tidos
nem achados. Veja-se, a título de exemplo, a privatização do Aeroporto de Santa
Maria, que na prática representa a concessão de 10% da superfície da ilha a
privados.
Nos Açores, e no seguimento daquilo que foi uma campanha
reconhecidamente irrepreensível, Vasco Cordeiro prepara-se para quatro anos de
mandato que se conjeturam duros. E dá uma chapada de luva branca a todos os que
nele pintaram um alvo.
Tiago Matias
Tradutor
tasmatias@gmail.com
*Copyright Foto: http://www.flickr.com/photos/vascocordeiro/
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