terça-feira, 23 de abril de 2013

O candidato das ideias alheias


As eleições autárquicas aproximam-se e com elas todo um frenesim político, característico.
Na Câmara Municipal de Ponta Delgada temos hoje um presidente que herdou um legado difícil de gerir, fruto da sua predecessora cuja gestão não foi, convenhamos, a ideal – particularmente do ponto de vista financeiro. Isto poderia ser a premissa de um bom augúrio. Porém, infelizmente, não o é.
O Dr. José Manuel Bolieiro tem seguido um rumo diferente na sua gestão. Mas não deixa de ser importante recordar o seguinte: José Bolieiro foi o vice-presidente de Berta Cabral durante três anos. Então porque não implementou as medidas que tem vindo a promover ao longo dos últimos seis meses? Ou porque é que não se debateu por elas, no mínimo? Porque permitiu o município seguir na senda do endividamento? A resposta é simples; o agora assumidamente candidato autárquico do PSD/A a Ponta Delgada está empenhado numa tentativa de branquear o seu passado político e sacudir responsabilidades.
Numa análise, mesmo que superficial, verificamos que José Bolieiro foi “beber” muitas das suas medidas às propostas do PS/A para Ponta Delgada, ao longo dos anos.
Vejamos.
Bolieiro afirma que é “hora é de arrancar com uma estratégia impulsionadora que envolva todos os agentes com interesse no desenvolvimento da cidade”. O PS/A defende isto desde pelo menos 2005 – o diagnóstico está feito, é hora de passar aos atos.
Bolieiro diminuiu a sobrecarga fiscal e de taxas municipais sobre o negócio, a ocupação do espaço público e o licenciamento de obras particulares. São estas reinvindicações precisamente do PS/A desde há quase uma década.
O candidato do PSD afirmou que “o tempo da autarquia andar de costas voltadas para o Governo Regional tem de passar”. Ninguém objetou mais a postura de “orgulhosamente sós” que Berta Cabral inculcou no município de Ponta Delgada, que o PS/A. Aliás, esta lógica concorrencial não tem o mínimo sentido. Independentemente das cores políticas, freguesias, autarquias e governo regional têm de trabalhar em articulação, em prol de quem realmente conta – a população.
 José Manuel Bolieiro quer agora apostar na “coesão territorial e social, descentralizando e reforçando os meios financeiros de todas as freguesias de Ponta Delgada”. Esta última frase é praticamente tirada a papel químico do discurso de anúncio de candidatura do candidato socialista, o Dr. José Contente.
Por outro lado o facto de José Contente estar já a apresentar propostas tão concretas, a sensivelmente meio ano das eleições, é prova de que o candidato socialista está empenhado em soluções que tirem o município de Ponta Delgada do marasmo em que este se encontra. O facto de José Contente defender os apoios sociais em detrimento do investimento em infraestruturas é prova de que o PS/A apresenta um candidato sensível aos tempos difíceis em que vivemos. O facto de José Bolieiro vir nesta altura – estrategicamente – fazer uma aproximação aos ideais de esquerda apenas prova que Bolieiro é um verdadeiro candidato das ideias alheias.

Tiago Matias
Tradutor

sábado, 13 de abril de 2013

Tópicos mais importantes da conferência “TEDx Ponta Delgada”*


www.tedxpontadelgada.com 

“A pérola e a cebola: reflexões sobre ciência e fé” - António Frias Martins
- O caminho para a sabedoria é olharmos para dentro e conhecermo-nos a nós próprios;
- Existem três perguntas essenciais que nos devemos colocar a nós próprios: “Porque sou?”, “Quem sou?” e “O que sou?”;
- O “Porque sou?” é abordado através da fé;
- O “Quem sou?” é abordado através da filosofia;
- O “O que sou?” é abordado através da ciência;
- A Fé é a aceitação da proposta sem evidência científica;
- Paradoxo da pérola e da cebola; A pérola é formada no interior da ostra devido à sucessiva deposição de camadas de nácar sobre um organismo estranho, um grão de areia. A pérola é, basicamente, uma reação alérgica. É bonita por fora, mas formada a partir de um centro morto. A cebola é um legume que aparentemente não é nada de especial. Também ela é formada através de sucessivas camadas, mas com uma diferença – a cebola tem um centro vivo.

Vídeo exibido no TEDx PDL


“Os Açores do futuro – mais complementaridade, menos rivalidade” - Nuno Tomé
- O que pode ligar os Açores, um barco de papel e o José Mourinho?
- Em 1895, Francisco Corte Real empreendia uma viagem que uniu Angra do Heroísmo a Ponta Delgada, num barco chamado Autonomia, feito em madeira e revestido a papel de jornal. Foi um esforço de união do arquipélago;
- Hoje, os Açorianos são e estão diferentes;
- Tal como José Mourinho consegue coordenar todos os egos dos jogadores das suas equipas, também as várias ilhas dos Açores podem colocar de parte as suas rivalidades. Há que apostar na complementaridade;
- Devemos continuar a navegar, nem que seja num barco de papel, apostar na complementaridade entre ilhas e aprender a gerir bem os egos de cada ilha, tal como Mourinho faz com os seus jogadores;


“As aventuras de um português nos Açores” - Luís Cardoso
- Desde os tempos antigos que o Homem comunica com desenhos, nas cavernas. Hoje em dia é com muito gosto que viajo pelas escolas, para tentar incutir e recuperar nos jovens o gosto pela banda desenhada;
- Mais que uma terra de oportunidades, os Açores são uma terra de possibilidades;
- Nos Açores existem facilidades, o que não significa facilitismos. As facilidades são que quem quer fazer, encontra condições. Os facilitismos são quando alguém nos “carrega ao colo”. Nos Açores há espaço para crescer, para quem quiser fazer o caminho;
- As pessoas vivem agarradas às coisas;
- O centralismo existe em toda a parte. Se nos Açores as coisas tendem a centralizar em S. Miguel, no país as coisas tendem a centralizar em Lisboa e na Europa as coisas tendem a centralizar na Alemanha;
- Muitas vezes vemos a roupa suja pendurada no quintal do vizinho e esquecemo-nos que podemos ser nós que temos os vidros das nossas janelas sujos;
- Todos nós consumimos algo que já foi feito. A folha em branco é o que nos permite deixar algo para que os outros consumam;

"O Outro lado de mim" - Sonasfly



Vídeo exibido no TEDx PDL

“Açores, um oásis no Atlântico” - Nuno Sá
- Quando para cá vim, os Açores pareciam um mar de oportunidades a explorar;
- Não pode haver muitos sítios onde se concentrem cerca de 1/3 das espécies de baleias e golfinhos do planeta;
- Conselho que Nuno Sá recebeu de um grande fotógrafo internacional de vida selvagem: “Tu vives num dos sítios com maior biodiversidade do planeta. Esquece o resto do mundo e concentra-te em mostrar os Açores aos Açorianos, aos Portugueses e ao Mundo”;
- O maior e o 2º maior peixe do mundo estão nos Açores. O tubarão baleia e o tubarão frade, respetivamente;
- Não temos reservas para a prática de mergulho nos Açores, com exceção da Reserva Voluntária do Caneiro dos Meros, instituída no Corvo pelos pescadores locais. Esta reserva tem o tamanho aproximado de um campo de futebol;
- Temos cachalotes todo o ano, nas nossas águas;
- Os Açores concentram 500 espécies de peixes, 20 espécies de baleias e golfinhos e 5 das 7 espécies de tartarugas marinhas do mundo;

Vídeo exibido no TEDx PDL



“Vida e morte do património cultural” - Susana Goulart
- O passado tem de ser revivido com o nosso olhar atual;
- Há uma sede de conservação e de preservação, mas por vezes não há mal em deixar o património “morrer”. Ex: um museu pode estar fechado durante anos e depois reabrir, que pode muito bem ser o caso do Museu Carlos Machado;
- Os museus parece que ficaram presos no século XIX e esqueceram-se que estão no Século XXI. Talvez por isso muitas vezes não consigam cativar os jovens, que os consideram “aborrecidos”;


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Infelizmente - e por motivos pessoais - estive ausente da 3ª sessão, que contou com as participações de Paulo Rafael Silva, Patrícia Pombo Tavares e Helder Medeiros. Caso queiras complementar este artigo, peço-te que me envies as informações para tasmatias@gmail.com

A organização está de parabéns. Venha mais eventos TEDx para os Açores, em Ponta Delgada ou qualquer outro local das 9 ilhas.

*na opinião de Tiago Matias 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Tópicos mais importantes da conferência “Turismo nos Açores: que Futuro?”*



Pedro Costa Ferreira (Presidente da APAVT)
- Para combater a sazonalidade do turismo açoriano, devem organizar-se eventos “âncora” fora das épocas altas;
- Os privados devem ser integrados e consultados nos processos de tomada de decisão da estratégia para o turismo nos Açores;
- Três fatores mais importantes para a promoção dos Açores: “condições naturais”, “autenticidade” e “segurança”;
- Conceito “Low Cost” é pão para hoje e fome para amanhã;
- As companhias aéreas tradicionais estão connosco nos bons e nos maus momentos. As Low Cost só estão connosco nos bons momentos e depois abandonam o destino;
- Importante diversificar os mercados emergentes. Aposta nos EUA, se bem gerida, é boa ideia no médio/longo prazo;
- As Low Cost não vendem lugares a passageiros; vendem passageiros a destinos. E se a viagem é barata, é porque é o destino que a está a pagar.
- Há que melhorar a hospitalidade dos serviços hoteleiros e da restauração açoriana.

Oscar Corduras (Instuto de Formación Directiva – Barcelona)
- É necessário que os açorianos reflictam se querem mesmo o turismo de massas para o Arquipélago. Consequências nefastas do turismo de massas (sol e praia):
                - Destrói a natureza, como nas Canárias os hotéis ocuparam a paisagem;
                - Gera benefícios para poucos e malefícios para todos os outros;
                - Artificializa o destino. O turista deixa de vir para desfrutar das características únicas do destino e passa a vir para usar o espaço para diversão;
                - Assim que a massificação é implementada, é irreversível;
                - Encarece o comércio local e expulsa o turismo local e nacional;
                - Regista-se o aumento da criminalidade;
                - A entrada num mercado saturado (turismo de massas) obriga à guerra de preços entre destinos;
- No mundo ocidental estamos a assistir ao declínio da unidade familiar; a decisão de casar é cada vez mais tardia, há pessoas que decidem ficar solteiras e há cada vez mais divórcios. Deve haver ofertas turísticas adequadas a estas novas condições sociais. Apostar em ofertas para grupos de amigos, solteiros, mulheres e casais de namorados;
- “Existem jovens com muito dinheiro, jovens com pouco dinheiro e jovens sem dinheiro”. Porém, quando um jovem viaja tende a publicar as suas experiências nas redes sociais e isso pode ter um efeito multiplicador;
- Paciência e prudência. Os resultados chegam;
- Como é visto o turista? Como uma fonte de rendimento? O turista é um convidado com quem “partilhamos a nossa casa”;
- Deve ser feita uma aposta na melhoria da qualidade de atendimento. Não existe uma 2ª oportunidade de criar uma 1ª boa impressão;
- O que esperar de um turista que viaje em Low Cost? Que gaste muito dinheiro no destino? Não me parece.


- Deve apostar-se em segmentos de turistas “repetentes”. Ex: golfe, geoturismo, vulcanologia;
- Porque não vender o produto “concertos de música clássica no Algar do Carvão”?
- Deve apostar-se em, primeiro, criar as condições ideais para determinada prática. Porque não criar condições de conforto para a prática de mergulho, que não impliquem que os turistas carreguem com as botijas e com o equipamento no final da atividade, muitas vezes com frio e com chuva? Porque não criar condições de excelência para a prática de Canyoning nas Flores? Uma vez criadas essas condições, o turismo surge;
- Precisamos de mais pessoas formadas em turismo e de maior transparência sobre as tomadas de decisão do poder. Os valores de investimentos e campanhas devem estar disponíveis na internet;


Cláudia Faias (Grupo Ciprotur)
- O tecido empresarial da hotelaria açoriana é maioritariamente constituído por empresas familiares (60%);
- Para combater a sazonalidade, uma aposta nos meses de inverno poderá ser a organização de eventos e a promoção de encontros de negócios (congressos);
- Devemos diversificar os mercados emissores e não nos basearmos apenas nos emissores tradicionais;
- No decorrer do último ano, a carga fiscal tem vindo a asfixiar o setor do turismo nos Açores (aumentos de IVA na restauração, IMI, IRC, tarifas de eletricidade)


- Nos últimos 2 anos, a hotelaria açoriana perdeu 200.000 dormidas provenientes do mercado nacional;
- As responsabilidades não são exclusivas do poder público; Também os privados têm a sua quota de responsabilidade. “Se o cliente está na China, é lá que os privados o devem ir buscar”;
- “Na Região trabalhamos o turismo de forma amadora, com custos profissionais”;
- Deverão ser realizadas com caráter de urgência jornadas técnicas de trabalho, auscultando os intervenientes privados no setor;
- “Em 2013 registaram-se nos Açores 6 unidades hoteleiras encerradas (2 por insolvência, 2 por estratégia empresarial e 2 que nunca chegaram a abrir”;


- É necessário promover as atividades de nicho nos mercados certos. Ex: não vale a pena promover whale watching em Boston, quando em Boston essa atividade está disponível;
- Fazer promoção é diferente de fazer publicidade. A publicidade em publicações generalistas pode trazer resultados zero;
- A aposta de promoção dos Açores tem sido feita tanto em feiras generalistas (de turismo), como de especialidade (mergulho, pedestrianismo, etc.)
- As Press Trips (trazer jornalistas de OCS ao arquipélago para que relatem a sua experiência) são uma forma económica de criar “buzz” (chamar a atenção) para os Açores nos Órgãos de Comunicação Social;
- Em vez de querer captar turistas com rede, por arrastão, são muito mais eficazes técnicas de “pesca à linha” (promoção muito mais diferenciada e segmentada); Ex: Ben Fogle, praticante de desportos náuticos tem sido “embaixador dos Açores" em Londres, com resultados muito positivos;
- O esforço tem sido feito para consolidar os mercados emissores tradicionais dos Açores (Portugal, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Escandinávia…), mas também para apostar nos mercados emergentes, assim que surge uma oportunidade económica identificada (Brasil, Rússia, Polónia…);


Tiago Raiano (Grupo Soltropico)
- Devem ser aproveitadas as oportunidades para repensar o conceito a vender ao público. Por exemplo, Barcelona aproveitou os Jogos Olímpicos para reforçar a sua ligação ao mar. No Rio de Janeiro está a acontecer uma dinâmica semelhante (Jogos Olímpicos e Mundial de Futebol em 2016);
- Mais do mesmo mas com mais capacidade tem levado à destruição de valor;
- A promoção dos Açores tem sido bem desenvolvida, não é isso que está em causa. Ex: Há anos atrás existiam vários stands dos Açores na BTL. Hoje essa presença está unificada;
- Existe demasiado “ruído”. A promoção deve ser “Açores” e não “S. Miguel”, “Terceira” ou “Faial”;
- A campanha realizada junto das crianças em idade escolar no continente foi inovadora e eficaz. Nunca nenhum outro destino trabalhou assim as bases. É de louvar que esta ação seja novamente repetida, este ano;
- Não são necessários mais hotéis. É necessário requalificar a oferta hoteleira;
- Deve vender-se a experiência. Se se vender “Golfe nos Açores”, o hotel viagem e refeições estão subentendidos e incluídos;
- A competição com outros destinos não deve ser feita ao nível do preço. Os Açores não conseguem competir com as Caraíbas, Palma de Maiorca ou Canárias a nível de preço.
- As rotas aéreas e marítimas devem ser pensadas na ótica dos turistas e não dos residentes. Ex: os horários das ligações marítimas inter-ilhas devem estabilizar pois se estiverem sempre a alterar correm o risco de vir a estragar programação de agentes turísticos feita com meses de antecedência;
- Com todo o respeito pelos direitos laborais, as greves cirúrgicas que temos vindo a assistir no setor dos transportes apenas prejudicam os operadores turísticos e o turismo açoriano, numa perspetiva de “chantagem” com o poder regional;
- Deve existir apenas 1 hub de entrada nos Açores e esse hub deve ser S. Miguel. Quando assim era, 60% dos turistas chegados a S. Miguel acabavam por visitar outras ilhas. Há que primeiro consolidar S. Miguel e depois partir para as outras ilhas;
- Os transportes terrestres estão mal organizados e sinalizados. Como explicar ao turista estrangeiro que nos Açores os táxis não têm taxímetros e é tudo a “olhómetro”?
- Porque é que não é possível visitar o Algar do Carvão no inverno, nem a pedido e com reservas de grupos de turistas feitas?


Paulo Simões, no encerramento (Diretor do Açoriano Oriental)
- Não foram faladas as 5 gateways de entrada e saída nos Açores. Parece-me que esta é uma opção a repensar.



* Opinião de Tiago Matias